Descanse em paz (e nos deixe em paz) IE6
Descanse em paz (e nos deixe em paz) IE6
jun 01
No papel de desenvolvedores, lidamos com diversos obstáculos cada vez que uma nova aplicação web tem que ser criada, como diferenças de arquitetura, de ambientes, de linguagens e plataformas, a mais complicada de resolver e provavelmente uma das mais importantes é a famosa “Diferença de Browser”.
Para quem não sabe o que é um “Browser”, ele é, provavelmente, o programa que você está usando agora para ler este artigo. Você pode estar lendo em um agregador RSS ou em algum outro cliente super avançado, mas o normal é que você esteja usando um browser.
“Mas qual a Diferença entre Browsers?”. Caso você esteja fazendo esta pergunta, segue uma explicação básica:
A diferença de browser seria a forma diferenciada em que um site é exibido por diferentes navegadores ou versões de navegadores. Esta diferença é causada pela utilização de um mecanismo diferente para a interpretação do conteúdo por parte de cada um dos fabricantes ou versões dos navegadores.
Para entender um pouco mais sobre estas diferenças, vamos percorrer um pouco pela história dos browsers:
No início o Mosaic, onde tudo era uma novidade. Criado em 1993 no NCSA (Centro Nacional de Aplicações em Supercomputação da Universidade de Illinois – EUA), ele foi o primeiro browser a ser distribuido em larga escala e a viabilizar acesso amplo ao conteúdo presente na até então “recém-criada” internet. A partir do trabalho criado para o Mosaic, o time de desenvolvedores responsável pelo projeto desenvolveu o Netscape Navigator e subsequentemente viabilizou a criação do Internet Explorer por meio do licenciamento comercial do mecanismo para diversos fabricantes (entre eles a Microsoft).
O Internet Explorer (IE) foi lançado juntamente com o revolucionário Windows 95 em agosto de 1995 e em pouco mais de um ano já dominava quase um terço do mercado, passando o Netscape e tornando-se líder de mercado em 1999. Essa escalada aconteceu principalmente pela presença do sistema operacional Windows no mundo todo e pela distribuição fácil e de forma agregada do browser.
Com o Internet Explorer dominando completamente o mercado, pouco ouvia-se falar em incompatibilidade de browsers, pois quase todos os computadores do mundo utilizavam uma versão deste browser para o acesso web. Em 2002, o Internet Explorer dominava quase 95% da utilização de browsers no mundo.
Quando o time de trabalho da Netscape criou uma versão open source do Mozilla (mais tarde batizado de Mozilla Firefox) e disponibilizou para a comunidade, rapidamente o projeto ganhou fôlego e começou a mudar este cenário. Em 2007 o IE6 foi lançado juntamente com o Windows XP, mas sua presença já era muito menos expressiva (56% contra 36% do Firefox). Parte deste declínio aconteceu por conta das constantes falhas de segurança relacionadas ao browser e às inconsistências nos resultados que este apresentava.
Preocupada com a queda na utilização de seu browser a Microsoft lançou o Internet Explorer 7, mas restringiu o acesso aos downloads do novo browser aos usuários que possuiam uma cópia legítima do sistema operacional Windows (mais tarde, num esforço para eliminar a versão anterior do browser essa restrição foi removida). Esta decisão, aliada ao fato de que a maior parte dos usuários rodavam cópias “piratas” do sistema operacional, fez com que o Internet Explorer não tivesse grande penetração, fracionando o mercado de browsers e dificultando ainda mais o trabalho dos desenvolvedores, que agora teriam que se preocupar com a apresentação em mais um mecanismo de renderização proprietário e incompatível com os padrões do mercado.
Acontece que os resultados obtidos com o IE6 são tão diferentes do esperado e o suporte do browser é tão inferior ao desempenho dos demais que ele acabou por se tornar o grande vilão da Web Atual. Não é raro ouvir de desenvolvedores que eles passam mais tempo “consertando o site” para rodar também no IE6 (usando truques de programação e versões diferentes das páginas), do que efetivamente criando suas aplicações. Com isso, diversos grupos iniciaram campanhas para “assassinar o IE6″ e retirá-lo do mercado. Um dos mais divertidos foi o “IE6 Funeral” que contou inclusive com um funeral de verdade, para o qual até mesmo a Microsoft enviou uma coroa de flores.
Entre as justificativas para estas múltiplas campanhas para o “extermínio” do IE6, podemos citar o suporte inconsistente a CSS e Javascript, a incapacidade de renderizar transparência em arquivos PNG e as centenas de falhas de segurança que ele tem guardadas em sua programação.
Pensando nisso e tentando retomar sua presença no mercado de navegadores, a Microsoft lançou também o seu movimento: O “The Internet Explorer 6 Contdown”(junto com o lançamento da versão 9 do seu browser). O projeto tem como objetivo reduzir a utilização do IE6 para menos de 1% do mercado, possibilitando que nosso trabalho como desenvolvedores fique mais fácil e a experiência dos usuários seja mais rica.
Muitos desenvolvedores já não fazem mais sites compatíveis com o Internet Explorer 6 e nem mesmo a Microsoft presta suporte a ele, mas enquanto 10% da população mundial insistir em mantê-lo vivo, não podemos simplesmente ignorá-lo. A discussão é grande e há enorme esforço para eliminá-lo, até mesmo do próprio fabricante. No entanto, ainda estamos longe de ver os últimos dias do IE6 e a verdade é que a web não vai realmente evoluir até que isso aconteça.
O que vocês acham? Vale a pena oferecer suporte ao IE6, ou é mais fácil conscientizar os seus clientes a evoluir e abandoná-lo? Comentem, vamos discutir a respeito.